• GeoAmbiental Jr.

Descarte incorreto de fármacos

De acordo com o Conselho Federal de Farmácias, o Brasil está entre os dez países que mais consomem medicamentos no mundo e esses dados podem ser atribuídos ao fato de que o acesso à farmácias e drogarias é muito fácil, além de que o brasileiro possui o hábito de se automedicar justamente pelos medicamentos serem vendidos com muita facilidade, sem a necessidade de uma orientação médica. E seguindo as estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 50% dos usuários de medicamentos fazem o uso incorreto dos mesmos.

Nesse contexto, diversos problemas começaram a surgir, entre eles estão incluídos o acúmulo de medicamentos nas residências e também nos serviços de saúde, assim acabam passando da validade e se torna necessário o descarte, que na maioria das vezes é feito incorretamente. No mundo todo já é possível encontrar esses fármacos nas águas e nos solos mas até o momento não existem estudos que mostrem o real impacto causado por eles, tanto para a saúde humana como para o meio ambiente.

Um outro ponto importante é que além dos fármacos serem descartados de forma irregular quando passam da validade, é que ao ingerirmos um medicamento, o princípio ativo, em geral, não é totalmente degradado pelo nosso corpo, com isso acabam sendo e eliminados pelas nossas fezes e urina indo direto para a rede de esgoto. Quando chegam a estação de tratamento, não é feito nenhum tipo de tratamento específico para neutralização desses compostos, assim então são lançados nos mananciais, sendo considerado água de esgoto tratada.

Seguindo o ciclo dessa água, ela é coletada por estações de tratamento para que se torne potável, mas nenhum tratamento específico para os compostos químicos é feito, visto que o risco de toxicidade para os humanos é baixo pois as concentrações desses elementos são muito baixas (estima-se que algo entre nanogramas e microgramas por litro de água). No entanto, o impacto cumulativo para a saúde humana decorrente do consumo crônico de água contaminada com baixas concentrações de fármacos é desconhecido.

Mas esses contaminantes que podem incluir hormônios, antibióticos e psicofármacos podem interferir na fauna presente nos mananciais alterando o comportamento de peixes e demais organismos que vivem nesse ecossistema. Uma das possíveis consequências da presença de resíduos de fármacos em lagos e rios é a diminuição de algumas espécies de sapos e outros anfíbios que naturalmente são controladores de pragas.

O aumento descontrolado da população de insetos como mosquitos, portanto, pode ser explicado pela quantidade diminuída de predadores. Se relacionarmos esse fato com a recente crise de zika vírus, chikungunya e dengue, podemos concluir que uma modificação no ecossistema pode resultar em uma crise nacional de saúde, e o descarte inapropriado de fármacos somado à inexistência de um tratamento eficiente de remoção de resíduos pode contribuir para esse quadro.

Em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) observou-se que a exposição a esses fármacos, mesmo em concentrações baixas é capaz de alterar o comportamento natural do peixe-zebra (Danio rerio, paulistinha), além de prejudicar o desenvolvimento de embriões e larvas. Na natureza tais efeitos poderiam resultar na maior predação desses animais, já que a habilidade de evitar e escapar de predadores pode ser afetada.

Para a remoção completa dos fármacos presentes na água é necessário utilizar equipamentos e processos mais meticulosos, que encarecem o tratamento e enquanto não há incentivos à pesquisa e nem do governo em diminuir os custos para essas tecnologias o que resta para a população é a conscientização para um descarte correto dos medicamentos vencidos ou que sobram nas cartelas, não jogando nos lixos comuns, na privada ou em pias.

O ideal é não comprar medicamentos em excesso para se automedicar, mas caso ocorra isso e eles passem da validade, o descarte correto será feito pelas farmácias através da logística reversa, onde a população precisa levá-los de volta a drogarias que possuem posto de coleta, e assim eles farão o descarte correto seguindo as normas da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Os medicamentos vencidos são tratados por processos térmicos, geralmente queimados em usinas de incineração, diminuindo o volume dos resíduos e sua periculosidade. É importante lembrar que a incineração também apresenta riscos para o meio ambiente e para a saúde, já que os gases emitidos pela queima e as cinzas produzidas podem conter substâncias tóxicas. Isso exige um extremo controle e equipamentos modernos com alta eficiência de filtração e lavagem de gases para diminuir os riscos. Por enquanto, é a melhor opção para destinação final dos resíduos de serviço de saúde.

(18) 3229-5412 

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