• GeoAmbiental Jr.

Diferenças entre o aterro sanitário e o lixão

Atualizado: Ago 3

Um dos maiores problemas que a sociedade atual enfrenta é onde depositar todo o lixo gerado, pois de acordo com o organismo da ONU, 99% dos produtos comprados são descartados dentro de seis meses, com essa porcentagem atingimos mais de 2 bilhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. No Brasil, muitos municípios não possuem sistemas de coleta, tratamento e um lugar adequado para armazenar estes resíduos.

Até o ano de 2008, metade dos municípios brasileiros (50,8%) ainda depositavam seus resíduos sólidos em lixões, que podem ser definidos como uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga de lixo sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. O mesmo que descarga de resíduos a céu aberto (IPT, 1995).

No lixão (ou vazadouro, como também pode ser chamado o lixão) os resíduos sólidos ficam expostos sem nenhum procedimento que evite as consequências ambientais e sociais negativas, além disso os resíduos domiciliares e comerciais de baixo perigo são depositados juntamente com os industriais e hospitalares, de alto poder poluidor.

Um dos problemas ambientais é causado pela falta de impermeabilização do solo, onde o chorume, líquido formado pela degradação de compostos orgânicos, se infiltra no solo, podendo contaminar águas subterrâneas. Além da formação do chorume, a decomposição da matéria orgânica produz diversos gases, principalmente metano (CH4) e gás carbônico (CO2), que são gases de efeito estufa e, portanto, contribuem para o aquecimento global.

Outro problema associado aos lixões é a presença de animais, como insetos, cachorros, porcos, cavalos, aves, ratos etc. que usam estes locais como abrigo e também é onde encontram alimento. Esses animais podem ser transmissores de inúmeras doenças, tais como raiva, meningite, leptospirose e peste bubônica. Do ponto de vista urbano, os vazadouros a céu aberto também levam à desvalorização imobiliária do entorno por conta dos odores desagradáveis e de todos estes problemas mencionados. Além disso, existem pessoas que vivem nesses locais em busca de comida e materiais recicláveis para vender, correndo riscos de incêndios, que são causados pelos gases gerados pela decomposição dos resíduos e de escorregamentos, devido a formação de pilhas muito íngremes, sem critérios técnicos.

Já nos aterros sanitários, o que acontece é um pouco diferente, os resíduos são separados de acordo com suas característica de potencial poluidor, e são depositados separadamente. Um aterro sanitário pode ser definido como o método que utiliza princípios de engenharia para confinar resíduos sólidos à menor área possível e reduzí-los ao menor volume possível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão da jornada de trabalho ou a intervalos menores, se necessário (IPT, 1995).

Ainda que sendo o método sanitário mais simples de destinação final de resíduos sólidos urbanos, o aterro sanitário exige cuidados especiais e técnicas específicas a serem seguidas, desde a seleção e preparo da área até sua operação e monitoramento. O objetivo principal é o de melhorar as condições sanitárias relacionadas aos descartes sólidos urbanos evitando os danos da sua degradação descontrolada ele deve operar de modo a fornecer proteção ao meio ambiente, evitando a contaminação das águas subterrâneas pelo chorume e evitando o acúmulo do biogás resultante da decomposição anaeróbia do lixo no interior do aterro.

Entre as características de um aterro sanitário estão basicamente, a impermeabilização do solo (com material adequado, que impossibilite a passagem do chorume ou percolado para o solo e subsolo, onde geralmente são usadas diferentes camadas de argila, solo compactado e/ou material sintético especial) e o nivelamento do terreno, as obras de drenagem para captação do chorume para conduzi-lo ao tratamento, e as vias de circulação. Além disso as áreas que limitam o aterro devem apresentar uma cerca viva, com árvores de grande porte, geralmente eucaliptos devido ao seu crescimento rápido, para evitar ou diminuir a proliferação de odores e a poluição visual. Em complemento, também devem ser realizadas obras de drenagem das águas pluviais.

Antes de ser depositado, todo resíduo é pesado, com a finalidade de acompanhamento da quantidade de suporte do aterro. Atingida a capacidade de disposição de resíduos em um setor do aterro, esse é revegetado, com os resíduos sendo então depositados em outro setor, porém este setor continua com um monitoramento constante para analisar as obras de captação dos percolados e as obras de drenagem das águas superficiais.

Atualmente, os aterros sanitários vêm sendo severamente criticados porque não têm como objetivo o tratamento ou a reciclagem dos materiais presentes no lixo urbano. De fato, os aterros sanitários são uma forma de armazenamento de lixo no solo, alternativa que não pode ser considerada a mais indicada, uma vez que os espaços úteis à essa técnica tornam-se cada vez mais escassos.


(18) 3229-5412 

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