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Impactos do óleo no mar


No final de agosto de 2019, manchas de óleo começaram a aparecer principalmente nas praias do Nordeste. Tais ocorrências despertam preocupação e indignação na população, não só brasileira, mas mundial. Apesar disso, este assunto ainda segue um tanto nebuloso para a maioria das pessoas. O que é esse material? Quais os impactos que ele tem nos seres vivos e no meio ambiente? E quais são as medidas que estão sendo ou que ainda podem ser tomadas para resolver esse problema? Essas são algumas das dúvidas que esse texto irá esclarecer.



O QUE É ESTE ÓLEO?

O óleo, como tem sido chamado, trata-se de petróleo cru, isto é, petróleo na forma que é extraída dos reservatórios geológicos. Nessa fase, ele se apresenta como uma mistura de hidrocarbonetos, gases em solução e metais pesados. É a partir dele que, durante um processo de refinamento, subprodutos como gasolina, óleo diesel, querosene e piche são obtidos.


VAZAMENTO DE PETRÓLEO ACONTECEU, E AGORA?

Assim que o petróleo cai no oceano, ele começa a sofrer uma série de transformações provenientes de processos químicos, físicos e biológicos. Os processos de espalhamento, evaporação, dispersão, emulsificação e dissolução são os mais importantes nos períodos iniciais de um derrame. O espalhamento ocorre durante as primeiras horas, nas quais o óleo tende a formar uma mancha única, diminuindo sua espessura, mas aumentando a sua área. Ainda durante as primeiras 24 horas, a evaporação dos compostos mais leves faz com que a mancha perca volume e se torne mais viscosa. A dispersão é o processo responsável por quebrar a mancha de óleo em pequenas gotículas suspensas. A dissolução inicia-se no momento do vazamento e se perpetua ao longo de tempo. Nela a fotoxidação e a biodegradação agem sobre a mancha gerando compostos solúveis. A emulsificação, incorporação de água ao óleo, forma uma emulsão que é mais resistente a alterações físico-químicas, fazendo com que a mancha persista por meses ou até anos após o derramamento. Esse processo costuma ocorrer ainda na primeira semana, após os compostos mais leves serem vaporizados ou dissolvidos. Ela também é responsável por aumentar o volume do óleo remanescente no ambiente. Por fim, a longo prazo, ocorrem os processos de oxidação, sedimentação e biodegradação. Durante o processo de oxidação, os hidrocarbonetos que constituem o óleo reagem com o oxigênio presente na atmosfera e se tornam mais tóxicos e mais solúveis. O processo de sedimentação ocorre quando há a adesão de sedimentos ou matéria orgânica a esse óleo cru, uma vez que essa condição é necessária já que o óleo por si só não é denso o suficiente para afundar na água. Por ter em sua composição compostos orgânicos, o petróleo cru sofre biodegradação, processo lento de degradação do óleo realizado por micro-organismos presentes naturalmente no mar.


Vazamento de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro em 2011 - Fonte: Rogério Santana


REMOÇÃO DO ÓLEO

Existem diversos métodos para a retirada de petróleo. Os mais efetivos são os que ocorrem enquanto o óleo ainda está na água, sendo que ao atingir a região costeira (areia, rochas, corais e manguezais) uma aderência maior é criada. Barreiras de contenção e skimmers, dispersantes químicos, absorventes sintéticos, remoção manual e biorremediação são algumas das técnicas disponíveis hoje em dia. No atual caso do Nordeste, a principal forma de remoção tem sido a manual.


IMPACTO AMBIENTAL FÍSICO

O petróleo na superfície impede que os raios solares penetrem na água, afetando imediatamente os organismos fotossintetizantes, que param de produzir oxigênio, prejudicando assim todas as outras espécies que respiram somente em baixo d’água. Além disso, esses produtores acabam morrendo, fazendo com que falte alimento para todos os níveis tróficos da cadeia alimentar. Outro problema é quando animais encostam nesse material e acabam ficando com esse óleo preso a eles, o que pode prejudicar ou até impedir a visão, a movimentação e a respiração deles.


Tartarugas-marinhas no Nordeste (BR) contaminadas pela substância em 2019 – Fonte: Julio Deranzani Bicudo


IMPACTOS QUÍMICOS

Devido a grande dispersão de diversos compostos tóxicos, temos observado uma onda de reportagens que possuem o intuito de conscientizar a população sobre como agir ao se deparar com essas manchas nas praias, enfatizando que a retirada deve ser feita por profissionais treinados, uma vez que voluntários, por mais que devidamente protegidos, podem acabar se contaminando. A ingestão acidental pode causar dores abdominais, náuseas e diarreia; a inalação dos vapores do óleo pode causar dificuldade de respiração, confusão e náusea, e o contato com a pele pode causar dermatite e queimaduras. Caso haja o contato com a pele, especialistas recomendam que a substância seja retirada com delicadeza com o auxilio de óleo de coco ou de cozinha e em seguida com água e sabão. Se houver o aparecimento dos sintomas anteriormente citados, ajuda médica deve ser procurada.


Vazamento de petróleo no mar do Nordeste (BR), 2019 – Fonte: G1

Os impactos não se limitam à saúde pública e ambiental. Durante o extenso processo de decomposição, frações desse óleo se dissolvem na água, e especialistas dizem que esse óleo na sua forma microscópica é um dos mais tóxicos. A identificação desse só é possível através de análise laboratorial. Isso faz com que, mesmo praias que já tenham sido limpas ainda apresentem riscos aos seres vivos, despertando desinteresse na população e prejudicando o turismo, um dos pilares da economia da região. Além disso, existe o preocupante fato de todos os animais da região afetada que foram analisados terem apresentado vestígios de petróleo em seus sistemas digestórios e respiratórios. Em virtude disso, houve uma queda brusca no consumo de peixes, mariscos e frutos do mar. Comerciantes locais e pescadores são os mais afetados economicamente e socialmente.


De: Giuliana Costa, GeoAmbiental Jr.

(18) 3229-5412 

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