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Inundações na Bahia

O estado brasileiro caracterizado pelo calor e pelas praias está enfrentando desde o final do mês de novembro um período chuvoso extremo, formado por chuvas intensas em uma área abrangente da Bahia, podendo ser considerado como o mais crítico em seu período de chuvas no mundo [1]. A anomalia é causada pelo fenômeno climático “La niña”, que se caracteriza pelas massas de ar quente e úmido concêntricas em direção à zona de convergência do Intertropical (ZCIT).


Com nebulosidade entrando em contato com uma depressão subtropical, ocasionada pelo aumento das temperaturas nas costas oceânicas do Brasil e interagindo diretamente com a porção norte da América do Sul, justamente onde se localiza o estado baiano, a baixa pressão atmosférica acabou por favorecer as chuvas extremas neste local, que de acordo com dados históricos, registrou a mais volumosa chuva para esta época do ano de toda história, causando diversos episódios críticos de inundações, enchentes, trombas d’água, deslizamentos e rompimento de barragens.


Com cidades registrando até cinco vezes mais precipitação do que o recorde histórico de outros anos, há registros de 769,8mm (Itamaraju-BA) e 578mm (Lençóis-BA) de chuva somente em um período de 30 dias. Os estragos atingiram 900 mil pessoas, tendo mais de 26 mil desabrigados, 60 mil desalojadas e deixando mais de 20 vítimas fatais, além de outras centenas de feridos.


Cerca de 130 cidades entraram em estado de alerta, dentre estas algumas inclusive decretaram estado de calamidade. Grande maioria das cidades localizadas no interior do estado não possuíam sequer medidas preventivas para este tipo de catástrofe, agravando ainda mais os prejuízos sociais e materiais.


Ainda há, inclusive, a possibilidade de haver mais temporais na região, visto que a época de chuvas de verão ainda não teve fim (se estendendo usualmente de novembro ate abril) e também tendo a possibilidade de uma migração dos índices pluviométricos para a região sudeste do Brasil, onde inclusive já atinge outro estado que faz divisa com a Bahia, Minas Gerais, que registrou um acidente no último sábado (08/01) ocasionado pela queda de um paredão de rochas no município de Capitólio (MG) [3].


O acidente ainda possui suas causas como sendo investigadas, mas há a possibilidade das água das intensas chuvas ocorridas terem acelerado o processo de intemperismo do local, bem como a tromba d'água que descia minutos antes da tragédia, que apenas aceleraram o processo natural de desprendimento da rocha, inerente a esta formação geológica, mas que infelizmente, sem haver um gerenciamento de risco adequada, acabou por gerar vítimas fatais.


Vale ainda ressaltar que no local onde ocorreu o acidente, o Lago de Furnas, é um dos maiores lagos artificiais do mundo, que foi possibilitado através da construção de barragens para a Usina Hidrelétrica de Furnas, portanto, com a estrutura modificada pelo homem, seus processos naturais são interrompidos, não conseguindo conter o intenso fluxo ocasionado pelo alto índice pluviométrico.


Outro problema ocasionado pelas condições extremas de chuvas é o rompimento de barragens [4], construções encontradas com grande frequência tanto no estado de Minas Gerais quanto na Bahia. Ocasionada principalmente por um efeito cascata, onde com outras barragens de uma mesma região também inundadas, acabam por deixar outras ligadas entre si com alto risco de rompimento.



Fontes:

[1] Chuva na Bahia é a mais extrema no planeta em dezembro (Metsul)

[2] O que causou tempestade atípica que arrasou o sul da Bahia (BBC News Brasil)

[3] Erosão e infiltração da chuva podem ter causado queda de paredão no Capitólio, em MG (Diário do Nordeste)

[4] Em MG, população é orientada a deixar casas por risco de rompimento de barragem (CNN Brasil)



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